PREPÚCIO


Refrão

Graças à benção, encosto no nariz “errebitado” e pareço tocar numa camada de isopor, cuja melodia emitida remete ao do wafer sendo pisoteado pelo bafo obturado. Cochilei. Os demais hilotas abreviaram o expediente sem aparar as arestas da bajulação ofídica. Não de mim: do doutor que insinuo sequer simularam adeus-bom-feriado. O celular acaba de ser expelido pelo bolso e se desconjunta todo enquanto me faço monarca fazendo o marrom. Instaurei bem o dia. Com o pé direito, meia furada, baforando qual um saci. Cochilei e, num pesadelo-vapt, desperto preso à pausa-vupt. Ao redor a textura-tessitura-textual. Um refrão me escolta.


Apostei com a ascendente de minha descendente que no marmitex de hoje veio chuchu em vez de abobrinha, e não pepino. Prejuízo valorado em cem reais. Desinterei a grana da passagem rumo a Campinas. Onde lucraria quinhentos reais vendendo marmita.


Perdi um fã. Contei-lhe sobre o amigo imaginário de meu rebento bastardo. Este tonitroou que a figura-Lula parece ter sido um indigente recolhido a uma instituição de caridade, bem lavado e alimentado lá. Mesmo sob paramentos-paletós-ternos-gravatas sua dicção em riste denuncia sua origem andarilha. Adicionou ainda que o perfil de nosso primeiro mandatário se amolda (e)ternamente ao de presidente de associação de moradores de bairro, posto com o qual deveria se contentar. Tsc. O povo deu corda, corda deu, doeu: o mendigo bem lavado entusiasmou-se. A vocação messiânica de Lula desemprega demônios. Meu ex-fã perguntou como eu poderia dar trela a gente preconceituosa assim, e rasgou nossa linda amizade em flocos – como se rasgasse o santinho adversário. E ferida tocada, pré-firo Geraldo: disse àquele que Alckmin parece o flautista de Hamelin: o talentoso rapaz hipnotiza ratazanas, conduzindo-as até tirá-las do território, malgrado nela se fixe, sorrateiramente. Geraldo não se deu conta de discursar para um grande país, retifico, país grande, e não para Smallville. Tsc. Consolo tardio.

Um vizinho de infância requis mediante ofício oriundo do Conselho Tutelar um paliativo rabular. Estendo as cáries mesmo amargurado com o fato de o assistido haver me subtraído, na alta infância, tampinhas premiadas, as quais valiam um copo do trapalhão Zacarias-criança (redundo?) estampado em cores da Pepsi, em que nunca pude tomar Coca.


Um mestrando em letras doutra cidadela, indicado por um homem das letras, telefona-me, interessado em apurar se sou escritor e se topo ser objeto duma entrevista. Ele se queixa, no celular, do chá que não domou a cólica tepeêmica. Recomendo-o tomar chá elaborado a partir de cogumelos direta e rigorosamente extraídos e selecionados do esterco defecado por ruminantes gerados in vitro, de seis em três horas. Também norteio-o a tomar chá de Santo Daime (com
ayahuasca transgênica), cujas propriedades reidratam o paciente em prejuízo de nutrientes e sais minerais gorfados após a ingestão oral do primeiro chá citado: estratagema para me safar apenas do questionário com fins acadêmicos, não dos quesitos formulados no exame de disfunção mental.


Clodovil descobriu minha quilofagia cristalizada toda vez que vejo a dourada agulha de Esper. Clô ganhou. Vai decorar o sarau e infernizar colegas com as cores do paraíso gay.

 

(continua abaixo)



Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 11h21
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Perdi meu útero. Havia um porta-retrato contendo a fotografia da imagem de N. Senhora de Fátima sobre a mesa: presente da mami. Hoje ela veio me visitar. Notou que substitui a foto, e se retirou da sala como se houvesse expulsado-a da sala.


O namorado. O cara enfim me exibiu seu-meu falo fashion, com surfaces e colágeno implantados, via webcam (conforme solicitei no
Valentine’s Day pretérito, e protelado até então). Perguntou, carente, se eu o havia contemplado. Respondi não haver conseguido enxergar nada porque... (antes de explicar, ele já havia se desconectado pra sempre de meu mono-ânus).


A paciência caniça. Uma prima indagou-me se eu tinha o pau grande. Ratifiquei ter o clitóris avantajado ou ser um eunuco dos pés à cabeça ou qualquer coisa hifenizada. Que só transava com amigas imaginárias de inimigos reais. Portanto me lavava antes de lavar a camisinha.


A amiga de apreço mascante de cabelo despertou chorando, apaixonada. Consolei-a afirmando que aquela virose havia me pegado também. Ela acresceu haver nascido assim, apegada demais à vida. Eu disse que a vida me oferece uma teta bem murcha ultimamente. Sorte estar adaptado ao leite de soja e outros leites.


A credibilidade-emprego com um vereador. Asseverei que "na-Cingapura-políticos-brasileiros-se-sentiriam-completamente-desprezados-pois-lá-inexistem-garis", numa toada só.


Meu irmão, arrependido, havia comido a bunda assada dum traveco. Eu o confortei: “chinês come coisa muito pior crua.”


O chegado, ora refinando conhecimentos teologais em Roma: “Vocês, estudiosos, atribuem importância à teologia como se Deus se importasse com isso.
Estude teleologia!”


Ônus no firmamento, com a idéia-fóssil: um ser que não pode nada sobrepuja aquele que pode tudo mas nada faz.


Perda do título de eleitor, porque votar nulo constitui ato ruim vinculado a uma obrigação pior. Anula o voto o bobo, vota no tolo o supramentecapto.


Extravio do amigo imaginário em comum, comungado: na verdade, só há um mesmo rol de traquinagens confecionais da alta adolescência, nada mais-menos.


Perda da descautela com o amigo virtual: a net filtra o que o condena.


Perda do assento para o final.


Ganho com opacidade: sob holofotes os vultos não se aproximam para apreciação. O dano resseca e se racha. Sou o mosquito perdido a baterrebater, em ziguezague, até quebrar a lâmpada. Escrevo sob o pálio do estrago. Caço um jeito de sair deste escritório. Caço lobos guarás a uivarem qual Coyote: lobo norte-americano, da alcatéia G-8. Caço coelhos, paulos, Paulos Coelhos. Estes juramentam que quando se tem um sonho, todo o universo matuta a favor da concreção deste. Então, se sonho destruir todo o universo mediante motivos mera e altamente mesquinhos, esse mesmo universo há de me escorar? Típico de quem escreve ao som de Nelson Gonçalves – e perde o compasso.
Noutro recinto. Sobre outra cera. Sob outro refrão.



Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 11h20
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