Perdi meu útero. Havia um porta-retrato contendo a fotografia da imagem de N. Senhora de Fátima sobre a mesa: presente da mami. Hoje ela veio me visitar. Notou que substitui a foto, e se retirou da sala como se houvesse expulsado-a da sala.
O namorado. O cara enfim me exibiu seu-meu falo fashion, com surfaces e colágeno implantados, via webcam (conforme solicitei no Valentine’s Day pretérito, e protelado até então). Perguntou, carente, se eu o havia contemplado. Respondi não haver conseguido enxergar nada porque... (antes de explicar, ele já havia se desconectado pra sempre de meu mono-ânus).
A paciência caniça. Uma prima indagou-me se eu tinha o pau grande. Ratifiquei ter o clitóris avantajado ou ser um eunuco dos pés à cabeça ou qualquer coisa hifenizada. Que só transava com amigas imaginárias de inimigos reais. Portanto me lavava antes de lavar a camisinha.
A amiga de apreço mascante de cabelo despertou chorando, apaixonada. Consolei-a afirmando que aquela virose havia me pegado também. Ela acresceu haver nascido assim, apegada demais à vida. Eu disse que a vida me oferece uma teta bem murcha ultimamente. Sorte estar adaptado ao leite de soja e outros leites.
A credibilidade-emprego com um vereador. Asseverei que "na-Cingapura-políticos-brasileiros-se-sentiriam-completamente-desprezados-pois-lá-inexistem-garis", numa toada só.
Meu irmão, arrependido, havia comido a bunda assada dum traveco. Eu o confortei: “chinês come coisa muito pior crua.”
O chegado, ora refinando conhecimentos teologais em Roma: “Vocês, estudiosos, atribuem importância à teologia como se Deus se importasse com isso. Estude teleologia!”
Ônus no firmamento, com a idéia-fóssil: um ser que não pode nada sobrepuja aquele que pode tudo mas nada faz.
Perda do título de eleitor, porque votar nulo constitui ato ruim vinculado a uma obrigação pior. Anula o voto o bobo, vota no tolo o supramentecapto.
Extravio do amigo imaginário em comum, comungado: na verdade, só há um mesmo rol de traquinagens confecionais da alta adolescência, nada mais-menos.
Perda da descautela com o amigo virtual: a net filtra o que o condena.
Perda do assento para o final.
Ganho com opacidade: sob holofotes os vultos não se aproximam para apreciação. O dano resseca e se racha. Sou o mosquito perdido a baterrebater, em ziguezague, até quebrar a lâmpada. Escrevo sob o pálio do estrago. Caço um jeito de sair deste escritório. Caço lobos guarás a uivarem qual Coyote: lobo norte-americano, da alcatéia G-8. Caço coelhos, paulos, Paulos Coelhos. Estes juramentam que quando se tem um sonho, todo o universo matuta a favor da concreção deste. Então, se sonho destruir todo o universo mediante motivos mera e altamente mesquinhos, esse mesmo universo há de me escorar? Típico de quem escreve ao som de Nelson Gonçalves – e perde o compasso. Noutro recinto. Sobre outra cera. Sob outro refrão.
Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 11h20
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