PREPÚCIO


Invenção do vermelho

 

 

Sabe, duas divindades, situadas no meio do métrico-cronológico. Aliás, ambas haviam inventado o tempo. Logo em seguida, inventaram a divisão, sem planejamento ou esboço, ao passo que surgiu entre elas uma fagulha-bípede. Esta se desdobrou em duas, três, cinco, vinte, mil, bil progressiva, espontânea e vorazmente, afastando mais e mais uma divindade da outra, e o resultado colonizou o meio. Com o desdobramento quântico avassalador de humanos, cada divindade, empurrada dali, afastou-se a ocupar, isolada, um pólo oposto mas não antagônico. Ali, divididas pelo extenso espaço-gente. Consternadas, sobreveio uma crosta de melancolia que aterrou a faculdade da lembrança, adormecendo-as, em posição de pedra. Os seres humanos se alargavam, enquanto. Horizontal, matemática e irregularmente, até, após decorridas eras e eras, esbarrarem-se na divindade a roncar no extremo à esquerda, acordando-a. Esta, vendo o quão parecia agradável viver humana, integrou-se à massa, a crescer desordenada, até alcançar a outra extremidade, à direita, e despertar o outro deus que, encostando no povo, conectou-se a ele todo, e recobrado, recordou-se da existência daquele outro deus, agora agregado e naturalizado às gentes. A segunda divindade, arrasada, logo inventa a vingança, pois sentiu que a primeira, partícipe do organismo-condutor, havia inventado a traição. Furiosa, pensou em matar todos. Portanto, um a um, de centenas a bilhões, seria impossível até mesmo para um deus. A divindade então extraiu uma palavra simétrica de seu arsenal, e cônscia da dificuldade e demora caso fosse matar um por um, decidiu encravar uma palavra afiada na jugular do senso de humanidade. Após um bocejar deleitoso tão preciso quanto orgástico, contemplou a menstruação – derramada na forma do tapete soberano – a qual havia acabado de inventar.



Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 16h03
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Sexo metaprecoce I - intimidade flagrada durante a transição 2006/2007, por Ricardo Wagner



Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 13h40
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Sexo metaprecoce II - intimidade flagrada durante a transição 2006/2007, por Ricardo Wagner



Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 13h39
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toc toc quem é? toc toc toc quem é? toc quem é?
toc toc toc quem é? toc toc quem é? toc quem é?
toc toc quem é? toc toc toc quem é? toc quem é?
toc toc toc quem é? quem é? toc toc toc quem é?
toc quem é? toc toc quem é? toc toc quem é? toc
toc toc toc quem é? toc quem é? toc toc quem é?
quem toc é? toc toc toc quem é? quem toc é? toc
toc quem é toc? toc toc quem é? toc toc quem é?
quem téoc ? toc toc toc quem é? toc quem é? toc
toc quem é? toc toc toc toc quem é? toc quem é?
to cq uemé?  toc toc quem ét o?c quem??  oc toc
toc quem é? tocétocéquem é? toc toc toc quem é
toc toc quém?e? toctoc ttoc qúem e??toc quem?

toc quem é? toc toc quem é? toc quem toc é? toc
quem é? sou o transtorno obsessivo compulsivo.



Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 12h52
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Síntese do micro-estatuto do ácaro


De 16 de Novembro de 2.549 (calendário budista)

 

Dispõe sobre o Estatuto do Ácaro.

 


 Título I – DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES


Art. 1º. A presente Lei dispõe sobre a proteção integral ao ácaro e seu poder alergênico.

Art. 2º. Considera-se ácaro, para os efeitos desta Lei, o aracnídeo polífago e cosmopolita a parasitar e provocar no escritor e demais pragas, cujos ideais excedam a dimensão de 0,15 milímetros, sarna e alergias cabíveis.

Art. 3º. O ácaro frui de todos os direitos inerentes ao escritor, sem prejuízo da proteção integral que esta alude, assegurando-se-lhe, por lei ou por quaisquer meios escusos, todas oportunidades e facilidades, a fim de lhe facultar a organização, invasão e instalação em ambientes eivados de intelectualidade, moralidade e, precipuamente, espiritualidade, onde se forjam e se consolidam ideais anti-acarianos reduzidos a autos.


    Título II – DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS


Art. 4º. Assegura-se ao ácaro todo o direito de minar a saúde e o bem-estar do escriba, mediante a efetivação de políticas públicas que visem zelar pela incubação, nascimento e desenvolvimento acariano longe da luz e do ar, em umidades dignas de sua existência.

§ 1º. O ácaro fêmea sob estado incubatório receberá atendimento pré e perinatal prioritário em relação à escritora sob estado gestatório, independentemente da gravidade das contrações e da ruptura da bolsa desta.

§ 2º. O ácaro portador de deficiência receberá atendimento especializado e integralmente custeado pela escritora-representante legal da criança perfeitamente sadia em processo de alfabetização.

§ 3º. (Revogado)

 

(continua logo abaixo)



Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 18h11
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Título III – DO ANIMUS DEFENDENDI A PRIORI


Art. 5º. O ácaro, ainda neonato, já detém a faculdade de gerir a liberdade de desrespeitar e lesionar a suposta dignidade artística e integridade física de escritores. 
   
Parágrafo único. Nenhum ácaro inicia uma agressão, mas age sob o escopo da legitimidade defensiva preordenada, a qual abarca:

I – A violabilidade da integridade orgânica de quem alega escrever em primeira pessoa porque assim entende falar de si mesmo com mais proximidade de si que o outro dele, sem que os heterônimos percebam estar sendo acareados;

II – Entupir as cavidades pulmonares de quem vale-se de fábulas fascistas protagonizadas por bichinhos cuja maciez reacionária relega aracnídeos ao desserviço, esquecimento, desprestígio, exclusão;

Parágrafo único. Um ácaro jamais poderá importunar um semelhante, salvo se este resiste em importunar um escritor.


Título IV – DISPOSIÇÕES GERAIS E FINAIS


Art. 6º. Melhor um ácaro ocioso sobre o sofá que um bilhão de neurônios inspirados, bem-dispostos à criação.

Art. 7º. Toda a sordícia textual outrora e ora produzida e fomentada significa celebração contratual trabalhista com neurônios – seres muito menores que ácaros.

Art. 8º. Qualquer obra-prima configura ato ilícito hediondo, pois a vida acariana não pode sobreviver à luz tampouco repeli-la.

Parágrafo único. A luz está para o ácaro assim como o texto psicografado por um vendedor de churros está para um diabético terminal.

Art. 9º. O meio mais eficaz de provocar alergia no escritor é hospedar uma nação em seu teclado, mesa, escrivaninha ou esboço de futura obra.

Art. 10. Escritores excelentes de cama vivem em coma, destarte incorrem numa alergia menos gravosa que asmáticos.

Art. 11. Não há um só ambiente visitado por um escritor que não tenha sido infecto por um ácaro antes.



Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 18h10
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Refrão

Graças à benção, encosto no nariz “errebitado” e pareço tocar numa camada de isopor, cuja melodia emitida remete ao do wafer sendo pisoteado pelo bafo obturado. Cochilei. Os demais hilotas abreviaram o expediente sem aparar as arestas da bajulação ofídica. Não de mim: do doutor que insinuo sequer simularam adeus-bom-feriado. O celular acaba de ser expelido pelo bolso e se desconjunta todo enquanto me faço monarca fazendo o marrom. Instaurei bem o dia. Com o pé direito, meia furada, baforando qual um saci. Cochilei e, num pesadelo-vapt, desperto preso à pausa-vupt. Ao redor a textura-tessitura-textual. Um refrão me escolta.


Apostei com a ascendente de minha descendente que no marmitex de hoje veio chuchu em vez de abobrinha, e não pepino. Prejuízo valorado em cem reais. Desinterei a grana da passagem rumo a Campinas. Onde lucraria quinhentos reais vendendo marmita.


Perdi um fã. Contei-lhe sobre o amigo imaginário de meu rebento bastardo. Este tonitroou que a figura-Lula parece ter sido um indigente recolhido a uma instituição de caridade, bem lavado e alimentado lá. Mesmo sob paramentos-paletós-ternos-gravatas sua dicção em riste denuncia sua origem andarilha. Adicionou ainda que o perfil de nosso primeiro mandatário se amolda (e)ternamente ao de presidente de associação de moradores de bairro, posto com o qual deveria se contentar. Tsc. O povo deu corda, corda deu, doeu: o mendigo bem lavado entusiasmou-se. A vocação messiânica de Lula desemprega demônios. Meu ex-fã perguntou como eu poderia dar trela a gente preconceituosa assim, e rasgou nossa linda amizade em flocos – como se rasgasse o santinho adversário. E ferida tocada, pré-firo Geraldo: disse àquele que Alckmin parece o flautista de Hamelin: o talentoso rapaz hipnotiza ratazanas, conduzindo-as até tirá-las do território, malgrado nela se fixe, sorrateiramente. Geraldo não se deu conta de discursar para um grande país, retifico, país grande, e não para Smallville. Tsc. Consolo tardio.

Um vizinho de infância requis mediante ofício oriundo do Conselho Tutelar um paliativo rabular. Estendo as cáries mesmo amargurado com o fato de o assistido haver me subtraído, na alta infância, tampinhas premiadas, as quais valiam um copo do trapalhão Zacarias-criança (redundo?) estampado em cores da Pepsi, em que nunca pude tomar Coca.


Um mestrando em letras doutra cidadela, indicado por um homem das letras, telefona-me, interessado em apurar se sou escritor e se topo ser objeto duma entrevista. Ele se queixa, no celular, do chá que não domou a cólica tepeêmica. Recomendo-o tomar chá elaborado a partir de cogumelos direta e rigorosamente extraídos e selecionados do esterco defecado por ruminantes gerados in vitro, de seis em três horas. Também norteio-o a tomar chá de Santo Daime (com
ayahuasca transgênica), cujas propriedades reidratam o paciente em prejuízo de nutrientes e sais minerais gorfados após a ingestão oral do primeiro chá citado: estratagema para me safar apenas do questionário com fins acadêmicos, não dos quesitos formulados no exame de disfunção mental.


Clodovil descobriu minha quilofagia cristalizada toda vez que vejo a dourada agulha de Esper. Clô ganhou. Vai decorar o sarau e infernizar colegas com as cores do paraíso gay.

 

(continua abaixo)



Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 11h21
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Perdi meu útero. Havia um porta-retrato contendo a fotografia da imagem de N. Senhora de Fátima sobre a mesa: presente da mami. Hoje ela veio me visitar. Notou que substitui a foto, e se retirou da sala como se houvesse expulsado-a da sala.


O namorado. O cara enfim me exibiu seu-meu falo fashion, com surfaces e colágeno implantados, via webcam (conforme solicitei no
Valentine’s Day pretérito, e protelado até então). Perguntou, carente, se eu o havia contemplado. Respondi não haver conseguido enxergar nada porque... (antes de explicar, ele já havia se desconectado pra sempre de meu mono-ânus).


A paciência caniça. Uma prima indagou-me se eu tinha o pau grande. Ratifiquei ter o clitóris avantajado ou ser um eunuco dos pés à cabeça ou qualquer coisa hifenizada. Que só transava com amigas imaginárias de inimigos reais. Portanto me lavava antes de lavar a camisinha.


A amiga de apreço mascante de cabelo despertou chorando, apaixonada. Consolei-a afirmando que aquela virose havia me pegado também. Ela acresceu haver nascido assim, apegada demais à vida. Eu disse que a vida me oferece uma teta bem murcha ultimamente. Sorte estar adaptado ao leite de soja e outros leites.


A credibilidade-emprego com um vereador. Asseverei que "na-Cingapura-políticos-brasileiros-se-sentiriam-completamente-desprezados-pois-lá-inexistem-garis", numa toada só.


Meu irmão, arrependido, havia comido a bunda assada dum traveco. Eu o confortei: “chinês come coisa muito pior crua.”


O chegado, ora refinando conhecimentos teologais em Roma: “Vocês, estudiosos, atribuem importância à teologia como se Deus se importasse com isso.
Estude teleologia!”


Ônus no firmamento, com a idéia-fóssil: um ser que não pode nada sobrepuja aquele que pode tudo mas nada faz.


Perda do título de eleitor, porque votar nulo constitui ato ruim vinculado a uma obrigação pior. Anula o voto o bobo, vota no tolo o supramentecapto.


Extravio do amigo imaginário em comum, comungado: na verdade, só há um mesmo rol de traquinagens confecionais da alta adolescência, nada mais-menos.


Perda da descautela com o amigo virtual: a net filtra o que o condena.


Perda do assento para o final.


Ganho com opacidade: sob holofotes os vultos não se aproximam para apreciação. O dano resseca e se racha. Sou o mosquito perdido a baterrebater, em ziguezague, até quebrar a lâmpada. Escrevo sob o pálio do estrago. Caço um jeito de sair deste escritório. Caço lobos guarás a uivarem qual Coyote: lobo norte-americano, da alcatéia G-8. Caço coelhos, paulos, Paulos Coelhos. Estes juramentam que quando se tem um sonho, todo o universo matuta a favor da concreção deste. Então, se sonho destruir todo o universo mediante motivos mera e altamente mesquinhos, esse mesmo universo há de me escorar? Típico de quem escreve ao som de Nelson Gonçalves – e perde o compasso.
Noutro recinto. Sobre outra cera. Sob outro refrão.



Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 11h20
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Hematoma sim, maquiagem o caralho!


 

O advogado-chefe aconselhou-me a providenciar um par de óculos com lentes escuras. Pareço um dálmata: o olho empretejou. O nariz, antes pendente para a esquerda, agora sinaliza a Alckmin. Tentei a diplomacia. Mas assim como no segundo round do duelo (ou seria dueto?) eleitoral, na pacatez interiorana se distribui o vale-verdura, vale-transporte, vale-refeição, vale-mentira, vale-ringue, vale-tudo. Domingo pretérito apanhei. Cinco socos, e uma copada mal sucedida. Levei na cara. No terceiro soco pedi arrêgo, interrompendo a torcida organizada sentada ao fundo do bar (sempre nele). O sujeito me agrediu porque “se sentiu” ignorado: “(...) quem é você pra me dar as costas?! (...) só porque agora é um doutor?!” Ignorei bosta nenhuma. Aliás, não sabia da presença do gaudério nas dependências. Se soubesse de sua presença, talvez demonstraria indiferença também. Qual o mal nisso?

Algum nacional já experimentou perguntar, durante interurbano internacional, aflito, a uma criança de três anos, filha do amigo irlandês, onde ele está? Desesperador, né? A gente apela até para a mímica. O papo com o boécio fluía no mesmo nível de aproveitamento. O calhorda-eleitor se imbuiu do mesmo reflexo-lema adotado – e apregoado – por muitas gangues plantonistas: o não cooptado ao partido deve ser caçoado; o opositor (quem não votar no candidato assinalado) caçado: ironia, inversão de valor. Concidadãos rabugentos reprovam minha acídia eleitoral – ou, segundo reza o mito vigente, o principal instrumento da democracia: o direito ao sufrágio. Verbete galante, né? Rima com o “ágil” político a ascender e minar modestos projetos viáveis (distópicos). A saquear, maviosamente, a parca economia, e encalacrar o assalariado ora detrás de grades-siglas. Blablabla. A vangloriar-se da arraigada metodologia bandeirante, da sedimentada miscigenação ociosa – e gabosa disso –, a compensar-se com a exportação do soberano humor-tradição, peculiar do gladiador pé-rapado brasileiro, de Havaianas, a sambar, sob a cadência gringa.  Blablabla. Ah. Sufrágio também se casa bem com o “frágil” – a um tempo só – encurralado e resignado votante, quando tecla o “menos ruim”. 

Se o voto representasse uma poderosa arma nas mãos de quem sabe escolher, o eleitor não levaria tanta surra do candidato eleito. O poder de escolha de representantes do povo significa direito coisíssima nenhuma, em virtude de ser o sujeito consciente da cidadania coagido, e até punido, se não exercer tal favor. O brasileiro se envolve na briga que parece gostar de apanhar. Há uma maneira de soquear colarinhos impecáveis: recuar e desmantelar o ringue cujas regras, meios de defesa e ataque permitidos competem ao covarde interesse estatal  regimentar. Quem leva vantagem: o eleitor ou o eleito? Pôncio Pilatos lavou suas mãos; eu o rosto inchado. O Brasil apanha porque joga limpo. Ah se o voto fosse facultativo e ninguém comparecesse na sua seção para votar... Utopia. Ingenuidade. Unanimidade impossível. Sempre remanescerá o paspalho seduzido pelos produtos de limpeza produzidos, embalados e esterilizados por Dudas Mendonças da vida.

Tanto o cacique A quanto o pajé L apresentam um discurso diurético a escoar antes mesmo da sonhada posse. A nação-taba, adotante da cultura "vale a pena ver de novo", considera seus candidatos ideais heróis, e sussurra qual a tiete, ao vê-lo engravatado como homem branco distinto, vertical, idôneo, casado, limpo, religioso, sujando-se com a graxa-ralé, comportando-se como o bom mocinho. O povo, deslumbrado com o arremedo, vota porque se sente enaltecido ao exercer a suposta cidadania civicamente cônscio, e não porque é necessário.

De qualquer modo, todo santo dia vou tomar socos na cara. Se ignoro alguém, polidamente, enquanto bebo, apanho dele, porque minha conduta inócua autoriza-o. Daí a polícia comparece no local, mas não lavra o malsinado BO – pois o Maguila evadiu-se do local tomando rumo ignorado  – acobertado pelo dono do bar. As testemunhas entram num OVNI e somem. E a vítima – ou ladrão de auto-estima? – desconhece o paradeiro do pugilista. Os PMs me conduzem ao Pronto Socorro. As médicas, quase solícitas, pedem-me para eu mesmo me lavar na pia, com um pano suspeito no tocante à textura, cor, cheiro, origem, função. “Tome aqui o atestado de corpo de delito, caso pretenda processar o sujeito.” Respondo que mereci a surra. Sem ranço, asseguro não ir ferrar o vencedor do pugilato (termo circunstanciado de ocorrência na 43ª DEPOL, ação no Juizado Especial Criminal = dois anos de contenda: eu, hein!), pois não mereço sequer receber uma cesta básica – a micropena provavelmente na qual o pugilista incorrer-se-á, se condenado (portanto, sendo o pião-peão (brinquedo na mão de adultos e crianças) que é, não disporá de recursos suficientes para arcar com as custas processuais, honorários advocatícios e diligências de oficial, sem o prejuízo do sustento próprio e da filha, sendo assim – pasmem! – recorrerá aos auspícios da Justiça Gratuita,  à luz da Lei nº 1.060/50, como sói suceder, no único escritório da Defensoria Pública disponível na Comarca, onde trabalho, ocasião em que será atendido pelo assistente-doutor aqui.

Vou desfilar com lesões corporais leves dolosas recebidas de partidários também. Tanto dos da direita, quanto dos da esquerda, centro. Recuso-me a votar em A ou L, por conseguinte, sou incluído nalgum cadastro de Schindler. Tomo, na cara roliça, socos-pontapés-copadas-ameaças-fodasses. Mas tomo também vergonha na cara: não vejo no espelho nenhuma vítima. Prefiro assumir minha condição transitória de dálmata e contínuo fracote (com um olho roxo), a perambular lento qual um urso panda (com dois olhares negros) acovardado detrás de um par de óculos, ou, genuflectido, detrás do “santinho”, contíguo, que o decepcionou. No Brasil, o voto compulsório camufla um ato ditatorial, pois só há verdadeira democracia quando se pode optar entre participar ou não de uma briga, da qual somente o eleitor que sai com hematomas, lesões e seqüelas mais graves.



Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 21h45
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Golpe doce



impossível se esconder do amor:
ouvi-lo implica ir ao encontro direto
da verdade sobre si mesmo.



Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 08h24
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LEMBRETE NA PORTA DA GELADEIRA

 

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Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 14h18
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Uma vaginoplastia, e só!



Pobre: mesmo apesar da exemplar fidelidade esponsal, do zeloso e regular exercício dos afazeres inerentes ao munus maternal, Deus havia perdido o maridão cornudo. Ele não hesitou em se desesperar; naquele exato instante, pensou e repensou (n)a humanidade, e com um trejeito de munheca potteriana, enfim desceu a humano.

O Corno-mor abandonou o lar às pressas, tomando rumo ignorado (consoante histórico do boletim de ocorrência lavrado no local do fato). Segundo fontes ilibadas do Inferno, Deus não aplicava amaciante nas ceroulas de Satã, o que por si só bastaria para ensejar – com fulcro judiciário! – a cisão daquela união estável. Também cochichavam – nos corredores do forum – que ao Todo Poderoso, sexo oral só com camisinha ovacionada pelo Inmetro. Quanto ao pompoarismo era mais taxativo: "factível única e exclusivamente com menores órfãos!".

Como corolário da separação, o Onipotente surtou: passou de diarista aventalizada a um desempregado latino, suplente de vendedor de "pão com mortadela + guaraná Mineiro a R$ 2,00" em leprosários franciscanos, mais solícito e ridente que o parlamentar saindo suado do puteiro grã-fino porém sem manobrista, tropeçando nos santinhos rivais distribuídos sobre o cascalho doado por algum cliente vereador.

O Todo Poderoso nunca entendeu por que seguranças trajavam terno-gravata, pois eles se gabavam em fardar o ego e em colocar focinheira no diálogo. Também Se indignava porque era tão difícil vender, dentro de coletivos, tanto Raio-Vacs quanto Seu Filho unigênito, digo, adesivos ilustrados, no ambiverso, com a cândida expressão de um Cristo albino, com o verso escrito "Sou surdo-mudo. Me ajude adquirindo esta lembrança a R$ 1,00. Deus lhe pague".

Deus constatou que ninguém comentava sobre Seus 1000 grandes feitos em prol da humanidade uma única vez, mas que toda a gente policitava 1000 vezes acerca de um único erro Seu, e então comprou 1 garrafa com catuaba e 5 latas de Caracu, pechinchadas; constatou que havia se esquecido de trazer copos descartáveis e que catuaba tinha sabor de biotônico Fontoura, todavia com efeito biônico. Deus era lerdo para admitir-Se um bebum em potencial, do mesmo modo que foi para descobrir que a latinha de cerva vazia poderia exercer a função de um copo descartável.

A partir daí, Ele passou a abordar Seus outros filhos na calçada, inquirindo o porquê de eles denominarem certos humanos de anjos, haja vista que estes são anônfalos (desprovidos de umbigo), não concebidos intra-uterinamente. Deus, no ensejo, salientou que anjos são chocados.

Esbravejava para o rabino doutro lado da avenida "que seu clitóris parecia um interfone", que "tolice é pior que pau curto, pior que pica breve..."; imputava a um dos elementos do rito eucarístico (sangue de Seu Filho) a causa direta da disfunção erétil em muitos sacerdotes. Ademais, acrescia que, de missa em missa, de cálice em cálice, o organismo manifestava tolerância ao "sangue", o que motivava a majoração do volume das doses, por conseguinte, conduzindo sutilmente os padres ao alcoolismo.

"Muita observação, pouca ação, nenhuma ereção"; "tudo vale a pena se a cifra não é pequena" – balbuciava Ele.

"O livre-arbítrio é balela a fim de justificar a omissão aureolar" – já enfastiado com aquele condado, confessava.

Flagrou jovens:

a) em acaloradas negociatas da Cruz da Terra Santa contendo urina do rio Jordão e pólvora do hezbolá de Belém;

b) o fracassado-precoce chupador de vexames modigliânicos – "arrependido" – projetando-se em tudo-todos, fissurado (no vértice da crise de abstinência) por toneladas de passes, bênçãos, johreis a fim de obter o cafuné divino e se purgar dos pecados de outrora, maculando-se instantaneamente com os mesmos pecados poucas horas depois no boteco logo defronte;

c) a enojante falsidade do mesmo pau-mandado ao se queixar que não suporta fulano e beltrano por serem, em tese, drogados, "que nunca mais emparelhar-se-á com tais", portanto poucos instantes após o juramento oferece ao mesmo fulano-beltrano 50 gramas de maconha com sabor de esterco materno, e, como ele é imprevisível (fato que o torna previsível), bebe a noite inteira com ambos naquele boteco o qual também jurava nunca mais pisar.

Deus concorda com Millôr Fernandes: a mais deplorável das vítimas é a "vítima do sistema", pois não há vítima senão o próprio sistema...

Deus ouviu gente dizendo que se orgulha de estar no Inferno (malgrado desconhecem que somente Deus Se dá a este luxo).

Deus atestou que a gente tentou ser brilhante, mas não conseguiu nem ser medíocre; que a gente é sobremaneira medíocre porque não pôde nem ser Deus.

Deus acordou sem ressaca e com uma Ice Kiss grudada no cu, todavia foi incapaz de dirimir se aquilo sucedeu em virtude de uma comezinha diarréia ou se o bofe inflável passeou com sua língua bifurcada por aquelas paragens.

Deus guardava tudo só na bolsa: no bolso se perde até a alma.

Ele leu os lábios vaginais (técnica de leitura ainda não apresentada pelos meninos surdo-mudos do Fantástico) de Dona Beja mencionar que certo diplomata é uma fraude conterrânea [...] e peniana. (sic) (negritei)

Ex nunc, o Todo Poderoso havia entendido por que amava tanto o Diabo, e por que este odiava tanto a gente.

Fogo-fátuo: sabe-se que Deus se orgulhou de uma única criatura, a qual foi um cirurgião formado num educandário cubano, responsável por Sua bem sucedida vaginoplastia; contudo tal contento um dia envelheceu, e Deus morreu ateu e sem marido. (Ele negritou)



Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 21h33
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 PASSE   ADIANTE

 

 

 

I - O adiante cuida da mediocridade. Aviso: quem ora escreve é o heterônimo remanescente. Eu, eu próprio, suicidei (engasgado com uma hóstia-brinde do 33º best-seller  de Padre Quevedo, a R$ 1,99, só disponível em camelôs protestantes), pois o máximo que pude me apropinqüar de uma pessoa portadora de semblante ocorreu quando plagiei o bigodinho de Pessoa, adubando-o rente ao frontispício de minha buceta interior. Bravio, metódico, cultuo atavicamente a limitação. Contento-me em apreciar o rito e ira orgíacas imanentes ao estado de ruína: pelada, abandonada, suja e arrombada porque sempre sobrevém uma reciclagem de pau duro para se deitar na esquelética sensualidade. De mais a mais, não fui sequer uma purpurina católica decente, salientando que nem na Opus Dei  (e por falar em mediocridade, atesto-a com este trocadilho safado!). Ah: e em que pese à fidelidade relativa à minha heteroconjugalidade... um batinado com cilício é um pecado, né gente?...

II - O adiante cuida da derrota. Agora há pouco flertei com uma transeunte. Linda. Com axila no queixo, remela espumando nas esquinas labiais. Exata. Entreolhamo-nos. Acenei, por dentro, um "olá" empolgado mas tardio: antes de percebê-lo, retribuindo-o, ela evadiu-se aliançada com a provinciana indiferença típica duma aldeia tecnoligárquica. A ilação: ou ela não me cumprimentou por achar que caberia tão-só a mim a iniciativa de cordializá-la, de praxe, como um nova-iorquino pós-pó-uourditreidicentariano, ou porque, segundo Nostradamus, não haveria benesse em estender um "oi" a um titular de erregê secular. Desde tenra juventude esbarro em tonalidades do fracasso social, digno de últimas análises. Desde as inaugurais chupadas na decrepitude do incesto. Às pessoas (inclusas as estranhas, desconhecidas e as que mijam agachadas sob o clarão do poste) digo ao menos um "opa", e sei que não devolver-me-ão o malsinado gesto sequer à baixa altura, entanto teimo e sofro com um novo novamente. Haverei de esfriar a ponto de congelar a gentileza, e enfiá-la no cálido cu simpático (cumprimento). Todavia sofreria ainda com a frustração majorada, reduzida à inveja (ora, também quero a este delicioso choque térmico me sucumbir!), porque o outro é quem gozará com a auréola dilatada, superlativadíssima (comprimento). Bem-aventurado aquele cujo cu Midas osculou!

III - O adiante cuida da apontaria. Alcancei a presente inspiração quando alinhava o mijo sobre o rastro de um cocô-aracnídeo, tão relutante quanto uniforme (exemplo de acatamento duma ordem militar) para permanecer aderido à reentrância do trono público. No ensejo, um sujeito uniformizado adentra, e a meu lado adverte que divirto no banheiro errado (feminino): mal sabia ele que minha buceta interior pode exibir uma circunferência maior que aquela policitada pelo risonho Orkut; maior que o coração do milagre neopentecostal imediato. Aquele gostoso representante do funcionalismo público municipal (cujas pernas são mui mais torneadas que o troféu dos Ronaldinhos) equivocou-se mais que o senso comum acerca da transcendência desencadeada pelo sexo câncrico seguro. O cara não saca nada do parangolê (do francês parangolé ), muito menos sobre a imparidade lírica, malgrado puritana, do seinho rosa de uma Lori Lamby alojado na úmida adiposidade-numerária do "eleito" cu glutão (nova flagrância de mediocridade: desconheço sinônimo para ânus, digo, cu).

IV - O adiante, passe adiante.



Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 21h46
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 SUI

 

 

Suicide - Antoine Wiertz (1806-1865)

 

 

O suicida abrevia o elo com o aqui-agora imbuído de uma adrenalina a priori, haja vista que o resultado exato dessa experiência consiste em objeto do qual não se pode apreender nada. O fim buscado com o auto-aniquilamento abarca a posterior incomunicabilidade da experiência obtida com êxito. Quem supõe saber o que se persegue com o suicídio deve, antes de esfriar em relação aos próprios lampejos corpóreos, abster-se não da pretensão de atribuir significado a essa experiência, mas de comunicá-la: por isso classificada como perfeitamente a priori. Arenoso discorrer sobre tal, primeiro porque não se pode garantir que a morte importa necessariamente em imposição de termo à existência, por mais conveniente que seja ao luxo dos raciocínios lógicos e semânticos; segundo, para a morte já se vai munido da idéia do que ela vem a ser antes de realmente vivenciá-la, como se fosse possível videnciá-la, de sorte que, acaso o fosse, convém depreender que algo findado no futuro reflete exata e obrigatoriamente o fim desse mesmo algo no agora; terceiro, com a morte nenhuma experiência se pode levar ou confessar, nem antes de morrer (claro!) tampouco depois; e quarto, se ela [a morte] configura um fim absoluto, ela por si só suprime o processo de significação por se opor diretamente à experiência sensível, ou seja, anuir que a morte não é a última experiência mas sim a não-experiência, o fim o qual não se pode perceber em virtude do cessar total da faculdade de perceber com aquele fim.

Sabe-se que a experiência com o suicídio não se repassa, compartilha, lega. Quem sobreviveu a uma experiência pós-morte não pode descrever o que compreende a morte, porque mesmo que tenha sido um conflito além-vida ele ainda continua sendo uma experiência aquém da morte-definitiva. A formulação conceitual fiel e próxima ao suicídio se suja com a símile pretensão mítica de uma religiosidade sedenta de sentidos. Não há que se falar em "fim" se se continua no "meio". Quem se submeteu à morte voluntária, transporta consigo a experiência-diário até, ao máximo, o contato com a própria ausência instantânea. A discussão acerca do suicídio deve morrer a partir do momento que ele designa conflito tão-só dos que vão sem comunicá-lo aos que ficam.

Sou o carrasco de mim mesmo? Uma idéia travestida de coveiro? A tradição personificada de uma covardia ancestral? Ímpeto pelo vigor naftalínico do sepulcrado?

A cada acasalamento entre os instantes, uma célula alfabetiza um câncer. Felinos podem suicidar até o algarismo seis sem prejuízo da prerrogativa que os permite miar até sete ecos diversos. As coisas humanas não: morrem mais, mas não fazendo jus à morte definitiva, definem, desgostosas, as nuanças em que a vida os mata, arcoirizam a morte. Entrementes suicídio não implica vulnerabilidade extrema. A cada novo instante nos fazemos mais velhos em relação à tal vida. A cada momento somos mais fantasmagóricos à nossa identidade. A cada cisco ancorado no olho somos mais vizinhos naturais do fim. O suicídio, assim como o nascimento, pode soar involuntário: o que muda consiste na antecipação do que não se viveu ainda. O presente se enforca, cedendo o mesmo galho ao futuro. Estar no mundo é permitir que a existência se incumba de nos matar, o que gera concordância, atração madura pelo derradeiro. Estar no mundo é se matar com as mãos da escolha. Quem não pratica suicídios atrofia-se. Induzimos outrem ao autocídio quando catequizamos a verdade. O "sui" (a intimidade entre eu e o suicídio me autoriza a tratá-lo assim adiante), a despeito do professado pelas doutrinas judaico-cristãs, é um embate, afronta ao dogma de punição-inferno, uma superação à "verdade" estabelecida – e impossivelmente vivida, consoante já aduzido, diretamente – por aqueles que incrustam o tormento eterno decorrente do auto-arruinamento.



Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 12h12
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[continuação]

A não-experiência do "sui" vai de encontro direto com "veracidades reveladas" aos vivos sobre o que sucede após a vida. Só saberei se serei punido com a escolha pelo "sui" depois de praticá-lo. Mas se experimento a punição severa no pós-vida humana, resta denunciado que não logrei sucesso no "sui". Inexiste definição de "sui" e suas conseqüências, porque não se sabe se há morte ou fim peremptórios. Desta feita, só cabe falar de morte quem morreu. Mas se esse alguém feneceu e ainda fala daquela [morte] é porque em verdade não morreu: a linguagem nele se eterniza como um eco ressoa no campo do silêncio. Eco que não se depara com o fim-limite, mas que se estende, amplia-se além da percepção, vigilância mental. O "sui" não é menos ou mais nobre que o nascimento, pois tanto este quanto aquele importam perda. O "sui" fora sutilmente inserido pelas relações de consumo, exempli gratia, o tabagismo e alcoolismo: qualquer homem de diligências medianas sabe dos malefícios oriundos do usufruto deles (precipitação da morte), portanto os consome, talvez, por, inconscientemente, aspirarem o auto-aniquilamento de uma etapa existencial. As drogas "lícitas" (a vida) e as "i" (crack) figuram "sui" burocrático, em conta-gotas. A recusa pela sabedoria denota "sui". Quem não se arriscar a compreender as forças regentes da existência sequer nasceu, e se não nasceu não é interessante à morte: mui pior que morrer não é viver, mas não ser alvo do fim. A mais danosa modalidade de "sui" compreende no repúdio à morte, o que equivale a desprezar a vida. Só se faz passível de fim o que vive, e só se considera vivo quem se admite, reconhece-se como objeto percebível ao alcance da morte.

Em muitas culturas o "sui" não carrega o tom pejorativo ocidental. Ademais, gize-se a omissão alusiva à autoproteção por parte do próprio Redentor: se não é, beira sim o "sui". Ora, se sou eu conivente com o intento de o mundo me ceifar por completo, busco o "sui" em sua essência; embora perpetrado por mãos diversas, permanece idealizado por mim mesmo. Cristo pode ser contemplado como afirmação máxima de idealização do "sui" sendo solução eficaz, como sinal de obediência, de desapego à noção de cessação. Cristo foi o kamikaze judeu. Personificou o "sui", heroizou a covardia (pretensa). Reitero: heroizou o que hoje recebeu atribuição pejorativa pela própria tradição judaico-cristã. Se houve um suicida exemplar, este foi Jesus e Sua paixão retilínea. Não é fixação, mas como discorrer sobre "sui" sem mencionar Cristo? "Sui" é desígnio ou encantamento que se incide sobre homens e escorpiões. A vida, as sucessões de eventos são a cicuta nossa de cada dia. Atentar contra a própria integridade física pode acarretar "sui". Saliente-se que Jesus atentou até às últimas instâncias.

Associam "sui" a depressão terminal, hipostaziada, ou até a um desejo motivado pelo Demônio cristão. Mas se Cristo se permitiu morto com tamanha crueldade pelo Seu misericordioso Pai, certo então que apóia, ama o "sui". Destarte há de se infirmar que o Deus-Pai exala enxofre. Do ponto de vista teologal, o "sui" resulta em manifestação de amor a outro e desamor a si próprio. A obediência messiânico-cristã resta sobremaneira eivada de controvérsias, haja vista que soa absurdo provar que se ama outro desamando-se totalmente a si próprio. Quem se ama preserva a própria condição de vivente, ou não? Então é possível eu me amar e ao mesmo tempo desejar meu fim pelo bem de terceiros? Amor e vida são sinônimos, ou não? Isso justifica, abona o "sui"? Como posso projetar o que sinto (amor) se para isso tenho que me destruir (desamor)? Como provar que amo praticando uma conduta condizente com a de quem desama? Isso fere ou não os princípios basilares da lógica, coerência? Se acometido do ódio posso matar outrem, e se tomado pelo amor posso me matar pelo bem do outro, onde reside o tão aclamado instinto de sobrevivência: muito ao lado do instinto de suicídio?



Escrito por Ricardo Wagner Alves Borges às 12h11
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